A 4.220 metros de altitude, com o vapor do trem se misturando às nuvens sobre um viaduto de 224 metros: é por isso que ninguém esquece o Tren a las Nubes. Mas antes de comprar a passagem, tem um punhado de detalhes que decidem se a sua experiência vai ser inesquecível ou só mais uma foto de cartão-postal. Eu aprendi isso na prática, e separei tudo aqui.
A lenda por trás do trem
O Tren a las Nubes é um dos trajetos ferroviários mais altos do mundo e a grande estrela do norte da Argentina. Sua construção começou em 1921 e levou 27 anos de trabalho em condições extremas, unindo Argentina e Chile através dos Andes. O nome nasceu nos anos 60, quando o vapor do trem passou a se misturar com as nuvens bem no ponto mais alto do trajeto: o Viaduto La Polvorilla, com seus 224 metros de comprimento e 63 de altura. É lá que a viagem vira lenda, e onde você vai fazer a foto clássica, com o trem curvando sobre o viaduto cercado pelos Andes.
Primeira surpresa: o trem não sai mais de Salta

Isso muda todo o seu planejamento. Hoje o embarque acontece em San Antonio de los Cobres, a 3.775 metros de altitude, e você escolhe entre duas experiências:
- Pacote completo: ônibus saindo de Salta, café da manhã rural em El Alfarcito, e embarque no trem em San Antonio de los Cobres.
- Só o trecho de trem: ideal se você já estiver em San Antonio de los Cobres, compra só a ida e volta até o viaduto.
Os dois saem à venda no site oficial do Tren a las Nubes. A decisão certa depende só de onde você vai estar.
O detalhe que muda toda a vista: o seu assento
Compre direto no site oficial pra escolher vagão e assento, e faça isso com antecedência, porque os lugares somem rápido. Agora a dica de ouro: assento do lado esquerdo na ida (procure os números 15 ou 16), porque é de lá que você vê o cânion e o viaduto em toda a sua glória.
Eu comprei sem saber de nada, peguei o assento 9, do lado errado, e passei a primeira parte da viagem olhando pro lado errado da montanha. Troquei pro 15 assim que pude, e a diferença foi de outro mundo.
Guarde esse detalhe: na volta todo mundo troca de lado, então quem foi na esquerda volta pela direita. É uma iniciativa da própria empresa do trem, pra garantir que todos aproveitem a paisagem dos dois lados.
4.220 metros não perdoam: como se preparar

Esse é o ponto mais alto que você provavelmente já vai ter estado na vida, e o corpo sente. Leve caramelos, folha ou chá de coca: é o truque local pra aliviar o mal de altitude. Coma leve antes do passeio, evitando lactose e gordura, e hidrate-se mais do que o normal. Para o frio, que é cortante no topo, vá com gorro, luvas e cachecol. E relaxe: há médico a bordo e oxigênio disponível se precisar.
Vagão restaurante: a virada de estratégia
Guarde a refeição pra volta. Na ida, a paisagem e a expectativa tomam conta de você; na volta, a altitude cobra a conta em forma de sono, e comer ali, com as janelas abertas e sem reflexo de vidro, é a jogada certa pra fotos e pra aproveitar o momento.
Antes de descer do trem

Passe pelo vagão de souvenirs e carimbe o seu passaporte: é o tipo de lembrança que vale mais do que qualquer ímã de geladeira. E na curva do viaduto, câmera na mão: é ali que nasce a foto que você vai postar (e reassistir) por anos.
Atenção que alguns países podem implicar com esse carimbo e encarar como rasura no seu passaporte, não aceitando o documento. Eu escolhi carimbar, sabendo dos riscos.
Se Salta está na sua lista, o Tren a las Nubes precisa estar também. Assento certo, casaco na mala, coca no bolso, e um lugar reservado pro café da manhã em El Alfarcito. O resto, o trem e os Andes resolvem por você.
Continue lendo
Tours recomendados em Lisboa
Miradouros, Belém e um passeio de barco no Tejo ao pôr do sol.




