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Rotina

A vida nômade não é só flores

Quase 3 anos de estrada · 8 min de leitura

A vida nômade não é só flores

Todo mundo pensa que a vida nômade é só flores: liberdade o tempo todo, foto perfeita, mala pronta pro próximo destino. Eu quero te contar que não é bem assim.

Desde criança aprendi que tudo na vida tem lado bom e lado ruim, não importa a situação. A vida nômade não seria diferente. A gente é acostumado a ter rotina desde pequeno, e sinceramente isso era o que mais me incomodava na minha vida antiga: acordar e fazer as mesmas coisas todos os dias, esperando as férias.

O lado bom: trabalhar de qualquer lugar

O grande privilégio da vida nômade é o trabalho online. Ele já corta boa parte do tempo desperdiçado no trajeto casa-escritório-casa, no preparo da comida pra levar, em separar roupa, em todo o ritual de ir trabalhar. Claro que, dependendo da função, a obrigação das 8h conectada não desaparece. Mas o tempo que sobra do resto já faz uma diferença enorme.

E quando você escolhe um trabalho online, pode jogar com o fuso horário, o que é uma faca de dois gumes. Eu amo acordar, tomar café da manhã lendo um livro e ir pra academia antes de começar o dia. Mas nas Américas eu entrava às 6h ou 7h, dependendo do país, e isso simplesmente não deixava espaço pra essa rotina que eu gosto. Foi aí que aprendi a habilidade que todo nômade precisa desenvolver: adaptabilidade.

O que o Instagram não mostra

Eu canso de ver nômade/influencer vendendo a vida perfeita. Na real, se adaptar custa, e custa toda vez. Muitas vezes levo uma semana inteira só pra entender a comida local, ajustar minha dieta e descobrir onde comprar as coisas certas. Achar uma academia com bom preço e horário que funcione nem sempre é fácil. Manter uma vida equilibrada exige estabelecer um mínimo de rotina, porque eu tento cuidar da minha mente e do meu corpo enquanto rodo o mundo.

Então não: o lado ruim não é o "se adaptar". O lado ruim é a saudade: dos amigos, da família, daquele dia comum em que você liga pra sua melhor amiga pra irem a um bar ou um café só fofocar da vida. A videochamada ajuda, mas o fuso horário nem sempre coopera, e não é a mesma coisa. E o pior de tudo, sendo nômade, é adoecer ou se machucar longe de casa.

Já fiquei muito doente uma vez, sozinha. Não é fácil procurar um centro de saúde que não fala seu idioma quando você não está bem. A experiência mais assustadora que já vivi foi uma queda que sofri em Medellín.

Mas essa é a minha percepção: pra outro nômade pode ser diferente, porque cada pessoa é diferente. Não acredite em tudo que vê no Instagram: não existe estilo de vida com só o lado bom e sem nenhuma dificuldade.

Como eu de fato organizo minha rotina

Primeiro, crio um roteiro de 6 meses a 1 ano, mas ele é flexível. A cada 2 ou 3 meses, fecho os 3 meses seguintes: passagens e hospedagens. Conheço gente que se organiza só mês a mês, e também funciona. Não existe uma regra única aqui.

O ritmo do meu dia segue o fuso horário, porque o trabalho vem primeiro. Nas Américas, trabalho até a hora do almoço, dou uma volta, vou à academia e fecho o dia com mais algumas horas de trabalho, às vezes com um passeio de meio período no meio disso. Na Europa eu inverto: aproveito as manhãs livres pra rotina ou passeios curtos que não atrapalhem o expediente.

Os fins de semana são reservados pros passeios mais longos, ou simplesmente pra descansar. Costumo ficar cerca de um mês em cada lugar, tempo suficiente pra conhecer de verdade, entender e viver o lugar, não só visitá-lo. Gosto de puxar conversa com quem trabalha nos lugares que frequento, pra entender um pouco da realidade local.

  • Nem todo lugar facilita amizades, e tudo bem
  • Em outros, você cruza com gente incrível e a amizade flui sem esforço
  • O melhor: reencontrar, meses depois, pessoas com o mesmo estilo de vida em outro canto do mundo

O que fica no fim de tudo

Muita gente me pergunta até quando vou viajar, se pretendo conhecer todos os países. Sobre isso: não é minha meta. Considero alguns lugares arriscados demais pra uma mulher sozinha, e não pretendo me colocar em risco por uma lista. Até quando vou viajar? Não sei responder com data. Digo que vai ser até quando fizer sentido pra mim, e se um dia eu quiser ficar parada num lugar por uma temporada longa, eu vou ficar, e ponto final.

Essa é a beleza de ser livre: ter o poder de escolha. Rótulo eu não me importo de carregar ou largar. Importa mesmo é ser feliz.

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