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Da mochila ao malão: o que aprendi fazendo a mala por quase 3 anos

Quase 3 anos de estrada · 6 min de leitura

Da mochila ao malão: o que aprendi fazendo a mala por quase 3 anos

Pedir visto, contratar seguro, comprar passagem: tudo isso é direto, quase mecânico. Não tem muito o que escolher. Mas quando o assunto é roupa e sapato, pra uma mulher, a mala vira o tópico mais difícil da viagem, e ninguém me avisou disso antes de eu sair pelo mundo.

Ao mesmo tempo que eu quero estar linda nas fotos, também não posso levar muito peso, e sei que vou querer comprar roupa pelo caminho. "Tranquilo, uma peça ou duas não muda tanto", você pensa. Verdade, se for uma viagem de férias. Mas eu, como nômade, na maioria das vezes levo 4 meses ou mais pra voltar "em casa". Então não estamos falando de uma ou duas peças.

Aprendi que, às vezes, compro coisas pensando que estou pagando um empréstimo delas: sei que vão ser úteis naquele tempo em que vou estar no lugar, mas elas não vêm comigo pro próximo.

Foi assim que aprendi a lição mais importante desses anos todos: o desapego.

Como tudo começou: mochila, mala de cabine e um travesseiro que vira roupa

Mochila e mala de cabine prontas, no começo da vida nômade

Quando saí pra vida nômade, levei o mínimo: uma mochila, uma mala de cabine e um travesseiro que você enche de roupa. Sim, isso existe.

Com essa estrutura, o guarda-roupa era enxuto: um short preto, um short bege, blusas de cores diferentes, um tênis de treino, 2 shorts e 2 tops de academia, um ou dois vestidos, uma sandália pra sair e uma pra praia e trilha. Skincare e maquiagem quase não existiam na mala.

Nem tudo deu certo. Implicaram mais de uma vez com a quantidade de líquidos na minha bagagem de mão, mesmo tudo abaixo de 100ml, e perdi itens no aeroporto mais de uma vez. Protetor solar, shampoo, condicionador, hidratante: passei a comprar tudo local e nunca mais levar de um país pro outro, a menos que o deslocamento não envolvesse avião.

Por que troquei pra mala de porão

A mala de porão que passou a viajar comigo

Depois de cerca de 1 ano, troquei a mala de cabine por uma de porão. Custa mais, e complica a logística entre aeroporto ou rodoviária até a hospedagem, sobretudo quando não tem elevador e são 4 lances de escada. Nessas horas, você se pergunta por que trocou. Aí lembra: você treina pra isso, e você é forte.

A virada aconteceu quando saí pra América Latina por 9 meses: inverno, verão e hiking no mesmo roteiro pedem uma bagagem bem diferente. Foi desafiador no início, e os comentários alheios não ajudavam: "nossa, você tem muita coisa", "viaja com tudo isso?". Quantas vezes quis responder: quem carrega sou eu, que diferença faz pra você? Mas sempre fui educada. Sorria e dizia:

Levo minha casa, né?

O que eu levo hoje

Hoje não abro mão de uma peça pra frio, da skincare e da maquiagem, e é por isso que sigo com a mala de porão. Cansei de perder coisas no aeroporto por implicância, principalmente no Charles de Gaulle, e decidi que prefiro ter conforto e pagar por isso.

  • Cafeteira e alguns itens simples de cozinha
  • Kit de copo e talheres de camping
  • Mochila à prova d'água, já me salvou em vários passeios de barco
  • Escova secadora de cabelo
  • Band de treino, pra quando não encontro academia
  • Tapete de EVA leve, estilo tapete de yoga
  • Kit de unhas (já perdi mais de um alicate de cutícula em aeroporto, inclusive na Colômbia)
  • Anticoncepcional pra 1 ano e os remédios que costumo usar

Os calçados e as roupas em si não mudaram tanto a lógica, só recentemente troquei quase o guarda-roupa inteiro, numa fase de vestidos e saias. E tá tudo bem: a mala muda com você.

Se você vai só de férias

Você não precisa de nada disso. Mas vale o hábito: cheque a previsão do tempo e monte looks em que a parte de baixo combine com quase todas as partes de cima, assim você leva só 2 ou 3 peças de baixo. Escolha no máximo um ou dois sapatos. E evite jeans: pesa demais pra valer a pena.

Essas são minhas dicas de hoje. Em breve trago também a lista completa de gadgets que levo comigo pelo mundo.

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